10 fevereiro, 2008

Sentinela.

Eu vivo em um mundo quântico, aqui nada me satisfaz na maioria das vezes. - E então, eu vesti meu maior sorriso.

Prefiro as cordas vocais às de aço, prefiro as cores a humanos, prefiro a solidão a popularidade, prefiro sinceridade a simpatia, prefiro o acaso a acidentes, prefiro a memória a empolgação. Sou, também, viciada em vírgulas.

Meu mundo é tão esquecido que às vezes acho que até Deus esquece de mim – digo isso rápido, para não arrepender-me.

Por que sou tão patética?

Fico confusa – o talvez sim e o talvez não me atormentam.

Desista! Quem tem memória nunca vai ter paz. Só resta andar, definitivamente só andar.

Engulo o seco de tudo que não posso aceitar, nem mudar. Preciso me conformar.

Não tenho sorte.

Reviro meus olhos e continuo com o sorriso.

Outro dia, decidi que seu eu quisesse teria que ir e fazer.

Começou em dezembro, cruzei com ele no corredor – já tínhamos nos cruzado antes, mas eu nunca tinha sentido o seu perfume.

Algumas coisas foram acontecendo, o leva e traz, as indiretas e diretas, e nada acontecia. Eu só queria beijar ele, beijar meu vizinho.

Uma noite tomei coragem, até que já tinha progredido bastante, quer dizer, nos já tínhamos trocado algumas palavras. Respirei, buscando no ar um elixir de coragem.

Subi as escadas. Bati na porta. Entrei.

Ele tava lá. – era como se ele me esperasse e como se ele tivesse ficado surpreso com minha presença ali. Tive vontade de sair correndo.

Falei pra ele tudo que precisava. Os olhos dele trabalhavam em cima de mim – queria poder saber o que ele estava pensando.

Falei, falei. Aconteceu. Minha boca encontrou a dele.

Eu tava ali, ele tava ali. Pude sentir o perfume dele e estudar sua pele.

Não queria saber da hora, eu havia conseguido.

Estava orgulhosa.

Estive com ele mais duas vezes, depois. Estávamos mais amigos, meu sorriso estava mais ensolarado. Mas, apesar de gostar de me encontrar no mesmo espaço que ele e conseguir estar tão próxima a ponto de sentir sua respiração, tinha decidido que não iria mais correr atrás dele – ele me disse que odiava esse tipo de atitude. A de correr atrás dele.

Foi assim, quando vi um toque de lábios selou o momento. Só me restou fugir.

Ele lá, eu cá.

Sinto falta dele, mas, não sou capaz de dar o braço a torcer. E como você pode imaginar, nem ele.

Tento não esbarrar nele pelo corredor, tento me recolher em um manto de orgulho. Preciso ser má com ele, porque preciso. Mas, ele não precisava agir da mesma forma.

E foi assim. Mais um amor – que dizer, mais uma história – de verão.

O mundo ainda vai se acabar no seu individualismo e congelar na frieza das pessoas que aqui vivem. Eu estou tentando não ser uma delas. Não aqui, nesse mundo.

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